sexta-feira, 24 de julho de 2020

Minha história de Amor

      Eu tinha dezesseis anos e morava com meus pais e mais quatro irmãos numa casa simples, numa cidadezinha de interior. Éramos pobres, mas eu me sentia feliz com a vida que tinha (à exceção dos problemas que tínhamos com o apreço que meu pai tinha pelo álcool, o que tornava imprevisível seu comportamento que poderia ser amigável ou extremamente violento). 
      Meu pai... O que dizer do meu pai...Eu o admirava, o respeitava, mas, às vezes, o detestava. 
    Sem dúvida, sempre foi um homem muito inteligente e trabalhador. Nunca o vi queixar-se de cansaço ou deixar de ir trabalhar por qualquer motivo. Nem mesmo por doença.Apesar do fato de muitas vezes beber até cair, nunca o fazia nos dias de trabalho, mas apenas nos finais de semana (o que fazia com que eu sentisse apreensão, tristeza e até dor estomacal nos sábados à tarde). 

      Acho que era mês de Junho. Naquela época, as festas juninas aconteciam mesmo em Junho. Eram as festividades que se dedicavam à santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Acho que era noite de Santo Antônio: o santo casamenteiro. E, aos dezesseis anos eu estava muito apaixonada pelo primeiro namorado. Não tinha certeza se queria me casar com ele, mas, já que estava apaixonada, e, o pior, havia entregado à ele minha virgindade, fiz um pedido... Não ao santo (já que eu era evangélica e não acreditava em santos). 
     Aquelas eram noites alegres, divertidas e, até mágicas. Os vizinhos se reuniam e construíam uma grande fogueira em volta da qual todos se aglomeravam para conversar, contar piadas, adivinhas, dançar e comer. As meninas brincavam juntas e faziam rituais para saber do futuro ou pedir ajuda amorosa ao santo. E lá estava eu, envolvida naquela magia, acreditei ter visto uma estrela cadente. E foi à ela que fiz o meu supersticioso pedido: "Quero me casar com ele!" Imediatamente, senti uma convicção. Era como se uma pessoa da qual não se poderia jamais duvidar, uma pessoa que tivesse toda a verdade me tivesse falado "NÃO! VOCÊ NÃO VAI SE CASAR COM ELE!" Incrivelmente, isso não me entristeceu... Era como se eu já soubesse que seria assim. Que ele não seria meu esposo.